domingo, 21 de dezembro de 2008

A casa

“Era linda a nossa casa”, lamuriava ele aos encantadores ouvintes dos desabafos. Era uma bela casa construída por nós, erguida tijolo a tijolo pela nossa paixão, com paredes pintadas de companheirismo e com telhas acasaladas de amizade. Tinha janelas que mostravam orgulhosas o dourado do nosso futuro e flores que coloriam a nossa cumplicidade. Os raios de sol cintilavam nos nossos corpos pela manhã e à noite jantávamos à luz das estrelas.
A casa era constituída por uma sala dos segredos que tinha um piano onde tocava para ti, e só para ti, as mais belas canções de enamorados; tinha também um quarto onde nos amávamos, uma cozinha onde alimentávamos as nossas esperanças e uma casa de banho onde desabafávamos dos nossos tormentos. O lugar mais especial era sem duvida o magnifico hall de entrada… era lá que juntávamos tudo e tornavamos a casa completa e embelezada.
Construir uma casa não é tarefa fácil mas conseguimos ultrapassar por muito juntos ao adorar aquele nosso lugar intemporal, refúgio de muitas vivências e confissões deixadas nos pequenos objectos que a habitavam.
Chegou um dia que começaram a aparecer as pequenas rachas nas paredes e vi a tua sombra sair pela porta fora para não voltares. A casa ficou vazia e acumulou montes de papéis com as nossas memórias, a madeira do piano secou, as flores murcharam, o quarto armazenou o pó da ausência dos nossos corpos, deixou de existir alimento na cozinha, os canos entupiram e as janelas cerraram a luz do sol.
Deixámos passar o tempo e não vimos qualquer valor naquela casa que um dia já foi nossa, e ela acabou mesmo por arder num fogo lento que destruiu quase tudo no que nela se encontrava.
A tristeza caiu em mim e o tempo sussurrou-me que deveria reconstruí-la novamente contigo. Sabes bem que é bem mais difícil reconstruir uma casa queimada do que construir uma nova mas também sabes que aquela casa não é uma casa qualquer… é a casa que um dia foi nossa.
Estou já a tentar dar os primeiros passos na reedificação dela mas preciso da tua ajuda. Necessito de sentir que aquele espaço é de novo nosso mas continuo sem saber se ainda queres voltar para a nossa casa. Tens a porta aberta a chamar por ti.

A casa de que falo é o mais belo lugar que já tive. Não é nada mais, nada menos que o nosso amor.

2 comentários:

Anónimo disse...

Adoro este blog. Adorava conhecer-te.

Rita disse...

Este texto está fantástico. Beijos